Se um dia eu pudesse continuar a vida que um dia parou,
me olhou,
esperou por qualquer ação minha
e eu apenas a olhei, não convencido por nenhum presságio
de que era necessário acreditar,
eu continuaria dizendo que valeu a pena,
como aquele verso em que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”,
acaso isto é estar livre
como uma bola de sabão no ar de sua leve existência,
ou como uma folha que se deixa ir ao calor e ao vento para germinar o novo
que brotará da terra,
eu continuaria, sentindo que valeu a pena,
mesmo que eu não dissesse jamais isto a alguém,
ninguém poderia me tirar este prazer de sentir-me EU,
com todas as possibilidades de fracasso,
Pois, o que é tudo, inclusive o fracasso, se não fazemos caso?
Nada.
Minha força humana se torna super-humana
quando adivinha os gestos futuros que se lançarão após os meus,
e depois outros em outros maiores,
como se fosse eu, imenso de possibilidades,
me prolongando... eterno!
na flor que não para de se repetir outra.