Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Para meu filho

Se um dia eu pudesse continuar a vida que um dia parou,

me olhou,

esperou por qualquer ação minha

e eu apenas a olhei, não convencido por nenhum presságio

de que era necessário acreditar,

eu continuaria dizendo que valeu a pena,

como aquele verso em que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”,

acaso isto é estar livre

como uma bola de sabão no ar de sua leve existência,

ou como uma folha que se deixa ir ao calor e ao vento para germinar o novo

que brotará da terra,

eu continuaria, sentindo que valeu a pena,

mesmo que eu não dissesse jamais isto a alguém,

ninguém poderia me tirar este prazer de sentir-me EU,

com todas as possibilidades de fracasso,

Pois, o que é tudo, inclusive o fracasso, se não fazemos caso?

Nada.

Minha força humana se torna super-humana

quando adivinha os gestos futuros que se lançarão após os meus,

e depois outros em outros maiores,

como se fosse eu, imenso de possibilidades,

me prolongando... eterno!

na flor que não para de se repetir outra.