Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sábado, 23 de março de 2013

Causa e efeito


E a canção da rua fugindo, meu coração
pousa no tempo com que te fito
e devaneio sem ilusão.

sobras de comidas
cápsulas, balas
restos eternos de mortais.

Quero te ver com a saudade do coração
teus olhos antigos de um corpo em transformação
adesivo no caderno da memória
ainda por desistir das fábulas que contaste.

Ouço com uma nitidez o teu silêncio e rio
a que distância me visitas, lembrança
cabelo, força e carinho, glórias temporais
que os anos futuros não trazem mais.