Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

domingo, 5 de junho de 2011


Brindar o amor é melhor que não brindar nada.

E aí eu me pergunto: onde andará essa teimosia clandestina de acreditar, às vezes, até mais que o possível? Essa derrota invencível que fica num olhar de ternura? Onde andarão os amigos que se reuniam despretensiosos de empregos, de fuga, faculdade e violência? Andam por aí e um dia ou outro nos encontramos, mas deles e de mim não resta a breve satisfação que prende os seres fora do tempo, éramos atemporais; somos temporais, com o coração cheio de escuras nuvens e densos mares. Poesia, aquela que li e tinha nela o contentamento de tudo, cabia ali a vida, infinita e breve como deve ser, sem soluções drásticas e com poucos deveres. Éramos felizes, e hoje o que somos? Diferentes! E a eternidade nos queria iguais. Com as mesmas namoradas, com os mesmos amigos... com as pessoas que ainda haviam sem partir... com aquela música que nunca mais ouvimos... com aquele olhar puro que ousei dar a alguém quando me julguei invencível.

Mas o que resta é essa saudade, preciosa e triste, e muitas vezes não sabemos o que fazer com ela. Embrulhá-la para presente entre uma conversa e outra? Rasgá-la porque a vida segue e já não somos mais criança? As matizes dos amores que tive foi o que não me deixaram ser banal. Portanto, agradeço a cada ser que me presenteou, que fez par comigo na dança silenciosa do tempo, sem que eu soubesse de nada. A cada amigo que se entristeceu e celebrou o vácuo preenchido do humano.