... Teu silêncio é um achado antigo, em que a poeira sentou, acumulou-se e os dedos escrevem... (Cristino Júnior)
Caro Leitor
Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.
Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,
Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.
E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.
Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.
Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Impretérito
Tempo bom é sempre pretérito.
Quantas lembranças esvoaçadas tolhem meu coração!
E simplificavam a natureza da vida em dar as mãos.
Embora pretérito, tudo isto é infinito
Mesmo este rosto sério, guarda um menino,
minhas peripércias e meus amores
casam-se neste silêncio secular.
Tu... a que distância eu risonho te revejo!
A beleza e o respeito que traz a ternura.
Sim, vives em mim a mais que o tempo.
És leve e teus gestos serenos
como a alegria das cirandas
e te resgato e eternizo em forma de amor.
Verbo que Foge da Boca
E me apaixono, ainda e sempre.
Não é verbo que foge da boca
para transformar-se em gesto...
há qualquer contentamento em olhar o vôo
sobre o indefinido do mundo
e meu coração é, então, papel para riscar...
Um dia
e tua cara branca e fechada,
teu branco silêncio sobre o banco da vida
reivindicará respostas.
Mas eu, cheio de mim e de ti, não mais responderei.
Esquecerás de mim sem me esqueceres.
Viverás os teus dias de glória silenciosa
sem a loucura do amor.
Riso
e deixa nas mãos inseguras
a procura por outras mãos,
não é infância, mas que ciranda circunda o nosso jardim
e banha as manhãs com a claridade dos gestos petrificados.
O amor, quando a gente cresce, inventa mansões,
contrói casas, delineia as coisas mais simples
e jamais supus, posto que sempre estiveram comigo.
Era preciso que chegasses,
trouxesses teus olhos para junto de mim...
Inevitavelmente: te amei.
Tu me amaste.
Crianças; anjos; vociferações
há muito silentes em orgulho;
canção erguida na estrada dos homens pateticamente completos:
Tu vieste
e, sem aviso prévio,
puseste qualquer coisa como matéria para sonhos
no colo de mim.