Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sábado, 25 de maio de 2013

Anjos




Já escrevi teu nome
e eras uma espécie de anjo
Outra forma era eu
Talvez apenas um bicho sem mato.
Corria para perto e para longe
Ou parava a observar as silhuetas do teu voo
E nesse baile em que meus olhos me levavam
Desaparecias em minha espera inútil...
Eu podia te imaginar entre os claros do céu
De coração puro e olhos sinceros
Olhava para a tua vida como um segredo que o céu me concedera ver
E sorria...
Vinhas para perto; depois ias para longe
E de novo e de novo...
Pouco a pouco me afastei
Ainda voas e ainda penso em ti
O problema é que eu descobri que não existem anjos.