Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

domingo, 8 de novembro de 2015

Ritmo



Depois que a dor da perda perdi
Fiquei mirando teu silêncio
Com olhos que não te contam
Porque a paixão não existe mais
Em mim
Em ti
Em nós
É época de saudade em ritmo miúdo de chuva
Levantando o cheiro da poeira na rua, na gente pensando
O que paira no tempo, pluma indecisa a cair
Como que se agarrando ao vento
Último beijo pausado, emoldurando a vida e suas possibilidades invisíveis
A teimar em quem somos
Rolando da memória do nunca seremos.