Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Aquiescência



Guardo velhos sabores ainda inesquecíveis, travinha no asfalto quando chovia à tarde, depois banho no rio — água morninha... —, os horários vagos que valiam a amizade na praça depois da escola, vôlei na arena e o futebol incansável como a pátria. E hoje parece que esta geração que está aí não aproveita nada disso, não curte, se não no facebook. Quanta animosidade para estar abismado diante de uma tela com luzes coloridas! Esperando que os códigos binários decifrem nossas vidas do outro lado, ou pelo menos respondam às nossas mensagens. E olha, não é nostalgia; não faz tanto tempo assim. É mais como olhar e ver. Eu ainda me divirto jogando Mario kart do N 64. Não porque o jogo é importante, mas porque estão ali os meus amigos, a velha aquiescência que une pessoas tão diferentes em torno de coisas simples e mútuas. Ali está toda uma forma de ver a vida, isso nos faz humanos e com semelhança.