Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Finalmente, apoiado sobre a caneta, deixando de lado os superlativos vitais, transcendo o pensamento e dedico-te o conforto de algumas palavras.
Dedico-te a coisa triste que me tem enlevado os sonhos em aterradores carinhos impossíveis.
E teus olhos infantis de bicho do mato tem-se derramado covardemente entre o meu eu confuso que se deixa transparecer.
Não tenha por isso uma carta de amor - o amor as vezes nos deixa vazios - mas apenas a verdade simples e consumada.

Chegada

Quando chegamos, o sol anunciava vida!
O tempo empalidece e apaga mais que as nossas lembranças
de sermos
Vou descer a silenciosa rua do desespero
sem métrica
Para chegar perdido
Como se me achasse ao mar
E deitasse ao chão minha imagem
os braços eternamente cruzados
-queria saber chorar!
como nunca tivesse mentido
como se apenas fugisse para a rua
ou para a lua.