... Teu silêncio é um achado antigo, em que a poeira sentou, acumulou-se e os dedos escrevem... (Cristino Júnior)
Caro Leitor
Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.
Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,
Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.
E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.
Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.
Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Escombros
pela poeira da compreensão das coisas
Penso em mim, penso em ti
E como a alma está cansada do que é tão precioso.
O mais
Mortos que boiam nas águas da vida.
Ah, não ter um verso para acordar-te
ah, não ser deus para tudo o que eu quis.
domingo, 1 de abril de 2012
Noturno
como uma vontade de partir
para outra hora,
para outro mundo,
para outro amor,
para outro eu.
Inquieto
aquele que se perdeu
dentro de amores e faltas
do ser que um dia foi meu.
E era uma calma a infância
a viver, desaprendida
e hoje só restam as lembranças
e estas horas já esquecidas.
Meu coração é augures,
um arquiteto inquieto,
do futuro que sempre muda
as grades de seu afeto.