Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Escombros

As crianças foram encobertas
pela poeira da compreensão das coisas
Penso em mim, penso em ti
E como a alma está cansada do que é tão precioso.

O mais

O mais são c inzas e corpos cansados
Mortos que boiam nas águas da vida.
Ah, não ter um verso para acordar-te
ah, não ser deus para tudo o que eu quis.

domingo, 1 de abril de 2012

Noturno

Queria este poema inconcreto e latente
como uma vontade de partir
para outra hora,
para outro mundo,
para outro amor,
para outro eu.

Inquieto

Em vão minhas mãos procuram
aquele que se perdeu
dentro de amores e faltas
do ser que um dia foi meu.

E era uma calma a infância
a viver, desaprendida
e hoje só restam as lembranças
e estas horas já esquecidas.

Meu coração é augures,
um arquiteto inquieto,
do futuro que sempre muda
as grades de seu afeto.