Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Riso

O amor, quando a gente cresce, produz um riso
e deixa nas mãos inseguras
a procura por outras mãos,
não é infância, mas que ciranda circunda o nosso jardim
e banha as manhãs com a claridade dos gestos petrificados.

O amor, quando a gente cresce, inventa mansões,
contrói casas, delineia as coisas mais simples
e jamais supus, posto que sempre estiveram comigo.
Era preciso que chegasses,
trouxesses teus olhos para junto de mim...
Inevitavelmente: te amei.
Tu me amaste.
Crianças; anjos; vociferações
há muito silentes em orgulho;
canção erguida na estrada dos homens pateticamente completos:
Tu vieste
e, sem aviso prévio,
puseste qualquer coisa como matéria para sonhos
no colo de mim.

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