
Brindar o amor é melhor que não brindar nada.
E aí eu me pergunto: onde andará essa teimosia clandestina de acreditar, às vezes, até mais que o possível? Essa derrota invencível que fica num olhar de ternura? Onde andarão os amigos que se reuniam despretensiosos de empregos, de fuga, faculdade e violência? Andam por aí e um dia ou outro nos encontramos, mas deles e de mim não resta a breve satisfação que prende os seres fora do tempo, éramos atemporais; somos temporais, com o coração cheio de escuras nuvens e densos mares. Poesia, aquela que li e tinha nela o contentamento de tudo, cabia ali a vida, infinita e breve como deve ser, sem soluções drásticas e com poucos deveres. Éramos felizes, e hoje o que somos? Diferentes! E a eternidade nos queria iguais. Com as mesmas namoradas, com os mesmos amigos... com as pessoas que ainda haviam sem partir... com aquela música que nunca mais ouvimos... com aquele olhar puro que ousei dar a alguém quando me julguei invencível.
Mas o que resta é essa saudade, preciosa e triste, e muitas vezes não sabemos o que fazer com ela. Embrulhá-la para presente entre uma conversa e outra? Rasgá-la porque a vida segue e já não somos mais criança? As matizes dos amores que tive foi o que não me deixaram ser banal. Portanto, agradeço a cada ser que me presenteou, que fez par comigo na dança silenciosa do tempo, sem que eu soubesse de nada. A cada amigo que se entristeceu e celebrou o vácuo preenchido do humano.
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