Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

domingo, 7 de agosto de 2011

Muitas vezes

Admito que perdi, muitas vezes

Com o tempo na mão, recrutei-me

Fiz vista grossa a todo o silêncio luminoso do mundo

Em minha ignorância, perdi a criança que me convidava a sorrir

dos meus grandes problemas inúteis

e fui perdendo

a inocência

o medo

a fé

Deus

(Não sei com que cara olhá-lo de frente

E lhe falar de minhas angústias.)

Fiquei impaciente

Fechado

Calado

Até mesmo comigo

Sou uma espécie social

Sem voz, cumprindo um cotidiano

De trabalho

E prazeres forçados.

Mas vendo-te dormir

Acordei

Maravilhei-me do simples

Estar próximo é melhor que estar em

As estrelas têm uma beleza singular que nos reconhece

Infinitos

Universos

E o dia raiará sem nem um verso de amor.

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