Vou viajar e quero te deixar algumas coisas, as lembranças, que são muitas, inclusive e em especial a deste dia em que te vi chorar com uma dor lânguida, como se não tivesses outros recursos para te proteger além dos teus olhos febris, como uma criança que se desconsola ao ouvir o queixume da mãe, atrás da porta, e atada em seu silêncio, no quarto, ora: “Deus, proteja a minha mãe, não deixa ela chorar!” — como se pudesse salvá-la; como um menino que acredita em um filme. E vendo-te tão vulnerável, descobri como é bonita a nossa dor, que é um pouco de felicidade disfarça em orgulho bobo e sagrado.
... Teu silêncio é um achado antigo, em que a poeira sentou, acumulou-se e os dedos escrevem... (Cristino Júnior)
Caro Leitor
Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.
Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,
Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.
E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.
Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.
Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.
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