Retiro-me, fui menino e a chuva era um morno vapor
com cheiro de barro molhado, a tamborilar na telha
Reiterando a vida na terra, com sua claridade de afeto calcário...
Quanto tempo se perde no silêncio de um segundo
Quantos segundos se perdem no silêncio de um dia
Quantos dias se perdem no silêncio de um ano
Quantos anos no silêncio de uma vida?
Tudo é tão pequeno e tão grande....
Remexo lembranças, cacos de louças saltam,
Tardes brancas empalidecem, perdem a cor, desfazem o céu
Que era meu e era teu
E não é mais de ninguém
Olho os amigos, acolho seu desabrigo, recolho-me em silêncio
Estão velhos e simples como a hora
Mas resistem, ainda que resignados, são fortes
Quanto me ensinaram? Quanto desaprendi daquele tempo
E que força os resgata em mim que os absorvo aéreos
casos ridículos vêm contar-me do país dos homens felizes.
Praticamos o mundo em nós se o relembramos, e talvez
Assim o pintemos de outro azul, vernáculo fora dos dicionários,
segundo que não se desbota com o tempo, nem o alcanço
face branca ao nosso lado na noite, respirar de pai dormindo, suspiro
de filho entressonhando seus medos ainda não maduros.
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