Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Fera

Desconheço a razão da vida
Posto que, enfim, persevera
e tão triste é ser perdida
- cerrado tempo de quimeras.

Cabe-me a angústia da vida
E não me caibo na primavera
que já ficara esquecida
num adeus que eu nunca dissera.

Ah, outrora! possível vida,
Se eu soubesse o que houvera
Seria fácil a despedida...

E já não traria esta espera
que se vê indefinida:
tão humana vida de fera.

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