Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

domingo, 5 de maio de 2013

Comunhão



Te procuro e não te encontro, sei que és e estás porque te vi, te conheci... eras  real ...
não tenho certeza de onde estás, como andas... percebi e cada vez percebo mais que gostaria de lhe falar ainda uma vez, porque sinto essa necessidade. Muitas pessoas admitem cores frias como o cinza pra lembrar o passado, eu não consigo... és uma parte quente da minha vida como um cobertor depois de passar muito tempo à chuva.
Te evoco... pudesse eu recompor o tempo, nominar isto que trago comigo como premissa e saudade — ah, absurdo coração que ainda sonha... e ri-se do que agora enternece feito quem lembra alguma coisa boba e intensa, bonito  e sem palavras.
Não é nostalgia. És tu comigo de alguma forma ainda. É um presente em segredo e que apropriadamente só a ti caberia abri-lo, mesmo que esteja em mim.
Estudei, viajei, amei e sempre ficaste ali, entre uma alegria subterrânea nunca mencionada senão pelo olhar... amo em ti — descobri depois de um tempo de silêncio — o mundo humano. Esse abraço cotidiano e quente... que me diz que não estou vazio.

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