Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sábado, 27 de dezembro de 2008



O tempo transcrito em nós
pousa, partícula de pó,
praticamente nula
mas como anular as lembranças do que se viveu?

O tempo transcrito em nós
nos transporta pássaro
- como é lúdico meu coração!
digno da atemporalidade do tempo.

O tempo transcrito em nós
foge
e nos liberta, crianças na terra ainda injusta.

O tempo,
como transcrevê-lo agora
que é pequeno e grande o mundo sob o nosso olhar?!

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