Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sábado, 16 de maio de 2009

encontrei esse escrito meu em uma folha de papel velha datada de 26.06.08:
"A tarde modorrenta e o seu desprezo de tudo, nós ancestralmente renegados à justiça, com muitas palavras para justificar nossa mesma falta... mentimos - cada um de si mesmo - `a espera de salvação... mesmo os convincentes e os que se convencem... mentimos a realidade de nossos abraços. Ah, não ter a convicção dos que perdendo não se perdem e nem omitem nem culpam o que a vida despreza. Ter a sensibilidade da primeira afetividade coroando a última. Todas as tardes e lugares que trago comigo são feitos de exílio, todas as estrelas ardem escuras na noite.. é fúnebre o meu cansaço de não possuir querer... as minhas mãos são carne arranjada apodrecendo para a vida e eu tenho febre..."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar. Tenha um bom dia!