Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sinceramente, não há pátria para minhas vozes. Desisti de tudo sem que me desse conta, o próprio amparo do amor fugiu, frustrou-se ou sei lá o quê... certo é que já não me sinto... a beleza desvelou-se inútil. Flor e dor são apenas estágios vazios de razão. Acordo todos os dias com o peso de quem mentira... mas sobre o que ao certo, não sei. É um vago sem porquê. Uma ânsia de que eu não tivesse vínculo com o mundo e a não-esperança em nada. As religiões parecem falsas...

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