Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Satisfação

Sinto saudade de tudo que pude ser quando estiveste comigo.
Embora nem desconfies o acalanto que suscitas em meu coração já antigo.
Partirás, porque não te posso limitar, e teu olhar ficará em minha lembrança
como um brinquedo quebrado da infância
Teus gestos ficarão serenizados como quando éramos nossos...
Embora não saibas mais meu olhar,
Me deste em teu riso a graça dos que amam calados,
Trouxeste a calma dos que olham a vida e isso basta.

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