Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Amor rubro

Ah, meu coração, por que não te calas como estão teus antigos amores?
Soletras gesto a gesto cada carinho,
- como é pequeno e irrisório o tempo!
E tuas leis, mais altas que a antiga alegria de sorrir,
com os braços cruzados em desalinho
dizem do teu olhar perdido pelos confins do silêncio, de repente.
O céu desfez-se em terra desmoronando,
A casa fria das nossas lembranças
tem as portas abertas à espera de que entres.
Chove sobre a palidez da noite,
chuva triste e incontida
de pai, mãe, filha, amor rubro.

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