Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Espera por mim


E o medo de sofrer foi me deixando calvo
Sem nenhum apetite, quando muito o sexual
Brotava em mim um silêncio inestimável
Velho como meus olhos cheios de palavras murchas
Sorriam a notícias tuas e eram cristãos os meus olhos
Sabiam pai-nosso e o respeito que os homens repartem-se mutuamente
Hoje não vejo, ignoro olhar
Os que me falam de sentimento como se pudesse salvá-los
Às vezes, coloco uma toalha sobre os espelhos
Sem nenhum medo de raios.
Sou um suicida ainda vivo
Pouco digo de mim, embora me esforce
Há paixões futuras me esperando na esquina
E velhos vazios de outras horas
Onde sobram eleições, carinhos, grandezas, filhos e paisagens
E tudo espera por mim.
E tudo é dito em voz baixa, na madrugada.

Um comentário:

  1. FAZIA TEMPO QUE EU Ñ LIA UM POEMA TEU,MAS O TEMPO Ñ MUDOU O TEU TALENTO. AINDA, ADIMIRO MUITO SUA CAPACIDADE DE ESCREVER BELISSIMAMENTE BEM.

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