Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Publicação

É aqui que me publico, torto
Amante das palavras que preferimos esquecidas
Das nossas associações ao ridículo
Teimosa veia do menino que salta ao velho
Irreverente ao tempo.
E me faço imenso de outros que se calam
Tendo o amor se alimentado de cada cansaço
Não vêem, não vemos o amor
Com sua voz reticente e forte a marcar nossa eternidade
No pêndulo de cada instante.
Quebro as cascas, que o sabor se abra
Os olhos e aos desejos
Do adolescente descobrindo-se inocentemente
O primeiro e o segundo e o terceiro
Tudo é amor e tem fome.
Pobres de nós que construímos redomas
para que o amor nunca fique triste.
Ele fica...
Até quando? Não se sabe.

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