Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

domingo, 20 de novembro de 2011

Quando

Quando estaremos livres da disciplina e do medo de nos machucar, do medo de viver, do medo do nosso anseio de ser livre?

Até quando as regras da sociedade nos serão caras, mesmo sabendo quanta hipocrisia há? Mesmo sabendo que há meninos de rua (menino não precisa de locução adjetiva); mesmo sabendo da fome abstrata do país inteiro e dos famintos que não têm o que comer?!

Até quando o salário do crime será a impunidade e os milhões que alimentam a cultura de que “aqui no Brasil tudo acontece, tudo é normal”?

Quando é que seremos do samba, sem os jornais de amanhã e os mortos nas estatísticas dos acidentes de trânsito?

Quando o amor vai ser mais importante que o trabalho?

Quando ficaremos nos cais sentindo o vento bater em nosso rosto sem nos preocuparmos com o mundo que virá para nossos filhos, sem respirar fumaça e capitalismo?

Quando é que seremos menos covardes e aprenderemos a fazer o que for preciso?...

Quando talvez um dia converter-se em um sorriso

E o valor do homem for incalculável.

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