Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Noturno



À tua procura meus olhos se fecham, viajam
Planam paisagens desertas; embora as flores.
Pouco a pouco meus olhos perderam os teus
Na consumação noturna, no verso impróprio
e não dito:
apelo infantil, modulando sílabas esquecidas
à espera de tua alma a minha se fecha,
ramo pendente no meio do caminho,
bússola de meus desencontros e tesouros
rubros, azuis, clarinhosos
centelha humana que não finda com a noite
embora recolha os nossos olhos de criança
cheios da ciranda desaprendida nas tardes
invisíveis de dissipadas.

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