Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Escuta



Escuta, eu não quero me encantar de ti.
És linda, mas meus olhos são como as noites tristes
Que banham teus seios claros
Como os das estátuas de virgens
Nos jardins públicos.
Eu não posso me encantar de ti
Em vão os meus lábios sentiram o desejo de te possuir
As folhas se retêm por um instante no ar
Antes de caídas aos pés das árvores.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar. Tenha um bom dia!