Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Envelheceu



Meu antigo gesto de te assistir, abraçar, proteger
Nossas falas camaradas calaram-se ao longo do tempo
É imprescindível viver
tudo envelhece
Papéis amarelecidos rasgam, a tinta se apaga
A voz fica rouca, pouca, sem palavras
Envelheceu
o nosso primeiro encontro
até o último, quem diria?!
Que claridade traz esta lembrança!
essa maneira de reconhecer coisas boas em nossos punhados de saudade.
Envelheceu meu sonho e meus filhos contigo
Envelheceu o lugar, o banco debaixo da árvore e o beijo
Tua mãe envelheceu
Mas o coração está vivo.
Envelheceu a viagem, a procura
A criança bicuda que eu conheci
Os nossos amigos também
Mas nesta fotografia contemplo ainda
O artesanal carinho
De um coração ainda infantil.

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