Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Carta-consolo ao Desconsolo do Amor



Meu amor, versos e rosas, flores e prosas
São para mim o que para ti já não podem ser.
Tudo está torto e acabado o dever
De gostar, amar, dar carinho e sofrer.
Trago ainda em minhas mãos estrangeiras estes versos
Que as rosas não falam e eu calo, embora universo.
Não te culpo pelas horas de desafeto em teus olhos vistas
Trago em mim aquela saudade intensa pra que eu nunca desista,
Trago em meus olhos o apelo irresistível das lágrimas
De um furor cruel e um dedicado suspiro em lástima
Em que me reapareças novamente
Num tempo sem manchas de um futuro ausente.
Trago em meu coração a sonata que compus para a tua vida
E em minha tristeza a sinfonia silenciosa da despedida
Do que fui e do que fomos dentro de um tempo que direi eterno
Mas que em nossa seara de orgulho ficou frio inverno
De lembrar o que celebramos o outro no um
O que era amor e vida; hoje é silêncio e jejum.
Meu amor, ainda te espero como a minha amada
Sei que não pretendes voltar, estás tão cansada.
Mas meu amor existe e não quer partir
Quer ficar te olhando o teu sono dormir...
E eu estou morrendo de saudade
De te ter novamente comigo — e tudo seria bondade.
Estou triste, porque meu amor, a minha princesa me deixou
Faltou no encontro de sábado e o mês inteiro acabou
Tão triste agosto ser o mês do desgosto
Mas nem me importava o tempo. Queria só meu amor reposto.
Volta para mim e o próprio céu ficará mais santo
Mas se não voltas, eu todo me deságuo em pranto.
Desculpa se choro, o amor desespera um homem
Mas se eu te amo, a vida ressurge e os desesperos somem.
Eu te amo e mesmo com esta vida que definha
Te amarei para sempre minha pequenina rainha.
Para ti é que foram feitos muitos dos meus versos
E não importa o que aconteça, isso te será único no universo.
E lembrar disso me deixa grande e pequeno outra vez
Grande porque fui teu amor; pequeno porque não me vês.

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