Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A Uma Flor


E era só pensar nela que o mundo se transformava
Eu mesmo me transformava em pensamento dos gestos dela
E era sentir saudade e meu coração de ternura palpitava
Apertava-se, pintava-se em requinte de tristeza em aquarela.

Hoje estou triste como quem nunca volta
Hoje sou só eu e minha sombra sobre os objetos
Hoje a saudade me partiu sem vontade nem revolta
E meu desejo de nada é quase como estar quieto.

E eram tantos acertos no horizonte... sem luz
O sol posto e ardente é um crepúsculo interminável
Quando se sente que enfim tudo se reduz

A pó e saudade do eterno antes e amável...
Simples e perfeito como o circo da infância que abriga
Os seus doces olhos de amada no seu leve riso de amiga.

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