Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vaga luz

Ontem estive contigo... embora não saibas
mas talvez soubesses
Embora o verso fosse a única porta para a tua força
Amamos a fuga que nos consome em empréstimos memoriais
Saudade e outros tantos nomes para a vida assim desencontrada
e nem eram tantos; mas recontados... como doem
Palavras de silêncio e o que não mais se diz
à altura mesmo da vaga luz que supomos sobre o mundo
(E mentimos a orgulho a nossa falta)
os heróis e seus pecados cumprem a vida
enquanto se recolhem velhos objetos às sombras dos porões.

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