Sei que eu não sou tão experiente em matéria amorosa. E, talvez, nunca se chegue a ser mesmo, já que o amor acontece em variadas idades e de diversas formas.
Mas, do que tenho observado, posso dizer algumas palavras. Percebi que nós precisamos confiar em alguém, faz parte de nossa natureza humana, e confiar não quer dizer simplesmente contar uma parte de nossa vida para alguém; é mais que isso, é deixar que tanto você como a outra pessoa possam crescer juntos, ajudando-se mutuamente.
Confiar significa contar seu dia como um presente guardado o dia inteiro para ser dado e dividido com alguém quando anoitece; ou quando o telefone toca; ou quando algo de importante acontece e você logo pensa em compartilhá-lo, ou quando, sozinho no quarto, não esquece a outra pessoa.
Confiar exige reflexão, porque confiar é dignidade de existir. Por isso, quando confiamos, nos sentimos leves, nos descobrimos amantes. É a cumplicidade que temos com alguém que celebra o amor. Por isso, toda relação de cumplicidade nos é cara e nos deixa felizes, pois é quando nutrimos nossas faltas e nos sentimos úteis que nos realizamos,, que nos completamos. Quer seja uma amizade, uma paixão, um amor, a cumplicidade é o que nos torna únicos e fortes.
Sem a cumplicidade não conhecemos o outro nem a nós mesmos, não podemos adivinhar olhares, não podemos sentir o toque das mãos e nem a presença da unidade com o outro.
Sentimo-nos contentes quando descobrimos que alguém alimenta um sentimento por nós, porque sabemos: alguém acredita na nossa beleza e isso é confiar. Alguém que percebe a riqueza que temos nos admira. O prefixo ad em português quer dizer próximo e mirar é olhar fixamente. E sentimento é isso: admiração, vontade de estar perto; não é vontade de possuir como se tem cometido o equívoco de pensar hoje em dia.
Temos dificuldade de amar porque temos medo, somos inseguros, sofremos, e somos esquivos ao sofrimento. É mais fácil vivermos uma vida sem amor que sofrermos no vamente por ele, principalmente quando julgamos já ter sofrido bastantes desilusões. Mal sabemos que é impossível viver novamente o que já passou, mal sabemos que cada pessoa traz uma graça particular, Interestelar, como o que está disperso no infinito, mas há qualquer presença, uma existência... uma nova forma de ver o mundo. E o que importa realmente é o quanto se pode compartilhar intensamente de cada momento.
Somos felizes quando pomos os nossos corações em nossos atos. Ao que muitos chamam paixão, eu chamo descobrir-se, amar a si mesmo, libertar-se. Porque você só pode amar se você se amar; do contrário, você será medroso e insatisfeito e estará condicionado aos seus próprios limites. E todo limite tira um pouco do que somos. Assim, não sendo em totalidade, não podemos ser felizes, e se não somos felizes não temos felicidade e, portanto, não podemos dá-la; cultivamos apenas a angústia e o ciúme do que pensamos ter. Por isso, sinta-se feliz: ame. Se você não se sentir feliz, afaste-se, porque acostumar-se é perigoso. O costume é regido pela necessidade e há muita necessidade que julgamos ser amor quando é apenas medo de ficar sozinhos. É preciso saber que, mesmo sozinhos, temos valor e somos apaixonáveis. Ame sem medo, ou não, apenas ame.
É como disse o saudoso Renato Russo: “Quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu.”
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