Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Saltimbanco

Eu posso me assustar e não saber o que fazer quando me disseres adeus. Por isso esse medo refutado me afeta tanto. As perdas são cruciais a uma existência. Elas têm o poder de privar-nos de sonhos ou de liberar a capacidade de nos recriarmos diante das adversidades. O saltimbanco vive o dilema de partir com um riso que aos outros satisfaz. O equilibrista para chegar do outro lado desafia as leis naturais... Sou os dois, só que calado, sem público. A arte que distingue meu coração é a coragem de amar de novo.

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