Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Vai uma crônica?!

Monstros*

“Condição psicológica” só justifica aos hipócritas as hipóteses de inocência dos monstros que nos acostumamos a ver nos telejornais.
E a nossa hipocrisia também nos transforma em monstros.
Os jornalistas são monstros capazes de transformar em sensacionalismo os eventos mais brutais, e nós, os monstros-objetos de ibope, vamos dormir, não de consciência pesada, mas com uma matéria a mais para comentar; enquanto não a esquecemos; enquanto os jornais não pararem de noticiar.
Somos postos a prova todos os dias, mas nada fazemos para mudar a situação. Não é a primeira e nem a última Isabela que será morta neste país — e como é difícil aceitar essa condição.
Grandes monstros os que se fingem homens, e enchem de cinismo a humanidade inteira.
Nós, os monstros domesticados, pacíficos cidadãos de bem, sempre comportados em nossas casas gradeadas, sem postura para dizer “não”. Não, eu não aceito isso.
Monstros, eis o que temos criado. Monstros capazes de assassinar cruelmente pessoas indefesas. Monstros somos todos nós. Eu a escrever; você a ler, sem a possibilidade de mudar quem somos, sem disposição para criar um futuro melhor.

*Dedicado à Isabela

3 comentários:

  1. "Escrever... um ofício onde o aprendizado é a própria vida."
    Clarice Lispector

    meu irmão nº 09 (rsrsrsrs), a poesia te conduz pelos caminhos da vida.

    Parabéns!!!! \o/

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Escrever...um ofício onde o aprendizado é a própria vida."
    Clarice Lispector

    meu tioo nº 01 (Te amuu) mto talento corre nessas tuas veias :P
    Parabéns!!

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