Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Poemas recentes

Pintarei teu rosto

Um dia, pintarei teu rosto
em forma de retrato sem cor
e todas as evocações perenes e passadas,
não mais torturadas, apenas em silêncio.
As mãos enfim acomodadas na doação mais simples
O corpo pendido; posto que forte
E os olhos insolúveis na noite,
Contempladas memórias e infância sorriem
em eterno folheto interior enfim justificado.

Encontro de vozes fundidas em mesma arte
Meu coração é um tolo a ver-te e ri.
Um dia trarei teu rosto, fatigadas as aparências
Como as rugas cobrem o rosto dos homens de sabedoria
A vida com a sua própria beleza, enfim desmitificada.

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