... Teu silêncio é um achado antigo, em que a poeira sentou, acumulou-se e os dedos escrevem... (Cristino Júnior)
Caro Leitor
Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.
Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,
Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.
E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.
Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.
Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Poemas recentes
Um dia, pintarei teu rosto
em forma de retrato sem cor
e todas as evocações perenes e passadas,
não mais torturadas, apenas em silêncio.
As mãos enfim acomodadas na doação mais simples
O corpo pendido; posto que forte
E os olhos insolúveis na noite,
Contempladas memórias e infância sorriem
em eterno folheto interior enfim justificado.
Encontro de vozes fundidas em mesma arte
Meu coração é um tolo a ver-te e ri.
Um dia trarei teu rosto, fatigadas as aparências
Como as rugas cobrem o rosto dos homens de sabedoria
A vida com a sua própria beleza, enfim desmitificada.
"Embora me reste como pergaminho esta boca sem linguagem..."
ResponderExcluirAdorei! =D