Caro Leitor

Ah não posso, é tudo delírio... de lírica expressão.

Não posso com a promessa de que devo escrever sempre, entre as neblinas da nossa falta de tempo para o amor,

Não posso amar essencialmente de mente, roubar a pura inocência da infância para dá-la ao sabor afetivo de algum leitor, sobretudo dos leitores caros que se entregam devotamente à contemplação do sonho que as palavras transmutam na poesia da vida.

E por isso, peço-lhe perdão, caro leitor.

Nunca fui bom na arte de amar, talvez por essa expressão cabisbaixa para tantos sentimentos, mesmo os mais altivos e nobres.

Gosto apenas de saber-me a amar... e talvez por essa negação eu tenha tido tempo para tantos ensaios quase literários, se não angústias assoviadas na contramão do barulho da cidade.
É bom falar sozinho, baixinho, ao pé do ouvido fazer sentir a vida e sua incomunicável poesia, como um segredo depositado em um amigo faz crescer a amizade, deixo a ti, prezado leitor, esse silêncio de palavras vagarosas, de onde surgem as inevitáveis poesias.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Formalidade

O que será do dia quando não for meu, não for mau

nem bom para delírios e amores e o livre arbítrio

será rosa, amarelo, doce em seu calor e frescura

ou talvez ainda haja aquela velha canção, pulsando

esquecida na angústia que cega os olhos

e a madrugada a tilintar sons longínquos

como os de quando eu era criança

e não sabia assoviar, nem sofrer, nem amar,

nem compreendia o que era solilóquio,

o dia era imenso e a cidade era cheia de conhecidos

hoje me desconheço.

Procuro flertar com o tempo sem que ele tenha necessidade de mim,

É imenso o tempo e meus dedos são curtos

A vida é um olhar que carregamos

De triste ou alegre,

ficou a brancura da hora de um pequenino tempo,

Só a criança sabe compor novo o mundo. Nós, apenas nos enganamos.

Corro, e o tempo é lento , paro e perco.

Quem me dera fosse criança para não saber que existo.

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